23/04/2025 - 1ª - Frente Parlamentar Católica Apostólica Romana

Horário

Texto com revisão

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O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP. Fala da Presidência.) - Boa tarde. Boa tarde a todos.
Declaro aberta a 1ª Reunião de 2025 da Frente Parlamentar Católica Apostólica Romana.
Em virtude do falecimento de Sua Santidade o Papa Francisco, e considerando a grandeza de seu legado para a Igreja e para a humanidade, esta reunião foi reconfigurada para prestar-lhe uma justa homenagem, no mesmo horário e local previstos inicialmente para o simpósio sobre a contribuição da Igreja Católica no ensino superior, que será oportunamente remarcado.
Aliás, esse é um ponto sobre o qual eu gostaria de fazer um comentário inicial aqui.
Eu agradeço a presença de todos, peço desculpas pela mudança de conteúdo, mas acho que todos entendem a importância disso. Nós não tínhamos, obviamente, qualquer ideia de que nós teríamos o falecimento do Papa. Nós teríamos esse seminário, mas - depois o D. Denilson pode expressar com mais propriedade -, na falta do Papa, não era de bom-tom, vamos dizer assim, não era adequado que nós continuássemos com o seminário. Portanto, nós resolvemos utilizar o mesmo horário, o mesmo local - e, de novo, eu agradeço a presença de todos - para que nós prestemos então essa homenagem ao Papa Francisco nesta cerimônia de hoje.
Até o momento, esta Frente Parlamentar conta com a adesão de 15 Senadores e três Deputados. Informo aos Parlamentares que desejam compor a Frente Parlamentar que os termos de adesão estão disponíveis na página do Colegiado, no site do Senado Federal.
Também comunico que esta reunião será interativa, transmitida ao vivo e aberta à participação dos interessados por meio do Portal e-Cidadania, na internet, no endereço do Portal do Senado - senado.leg.br/ecidadania - ou pelo telefone 0800 0612211.
Compõem a mesa: D. Denilson Geraldo, Bispo Auxiliar de Brasília, representando o Cardeal Arcebispo de Brasília D. Paulo Cezar Costa; Irmã Iraní Rupolo, Reitora da Universidade Franciscana de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, onde eu tive a honra de morar por quatro anos; Prof. Dr. Deivid Carvalho Lorenzo, Reitor da Universidade Católica do Salvador, Bahia; Padre Isaac Celestino de Assis, Pró-Reitor de Identidade e Missão da Universidade Católica de Brasília, representando o Reitor da referida universidade, Prof. Dr. Carlos Longo.
Senhoras e senhores, autoridades presentes, representantes da Igreja, queridos irmãos e irmãs, boa tarde.
Em fevereiro, antes de sua internação, o Papa Francisco escreveu o prefácio de um livro que dizia, abro aspas: "A morte não é o fim de tudo, mas o começo de algo. [...] porque a vida eterna, que aqueles que amam já experimentaram na terra em suas ocupações diárias, é começar algo que não terá fim. E é exatamente por esse motivo que é um 'novo' começo, porque experimentaremos algo que nunca experimentamos plenamente: a eternidade".
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É com grande honra e profundo respeito que declaro aberta esta reunião especial da Frente Parlamentar Católica do Senado Federal, que hoje se reúne em um gesto de reconhecimento e gratidão: prestar uma homenagem ao Santo Padre, o Papa Francisco.
Como Parlamentares católicos, nossa missão é levar os princípios cristãos para o coração do debate público, promovendo leis que respeitem a dignidade da pessoa humana e combatam as injustiças, seguindo as sábias palavras do Papa - abro aspas -: "Juntos no amor, nós, cristãos, podemos mudar o mundo, podemos mudar nós mesmos, porque Deus é amor!" - fecho aspas.
Homenagear o Papa Francisco é reconhecer a figura de um líder religioso mundial, é renovar o nosso compromisso com os valores do Evangelho e com a construção de um Brasil mais justo, solidário e moralmente responsável.
O Papa Francisco foi uma fonte de esperança para milhões de fiéis em todo o mundo, desde o início do seu pontificado, em 2013, pela sua simplicidade, caridade e coragem profética que inspirou católicos e não católicos a buscar uma vida pautada pelo amor ao próximo. Dizia o Papa Francisco - abro aspas -: "Quem pensa em construir muros e não em construir pontes não é cristão".
O seu legado nos convoca a estar próximo dos mais pobres, a cuidar da nossa casa comum, a criação, a defender a dignidade humana em todas as suas dimensões, a defender a vida, a família, a paz e a liberdade religiosa. Esses princípios também conduzem esta Frente Parlamentar Católica do Senado. Abro aspas: "Temos a oportunidade de preparar um amanhã melhor para todos. Das mãos de Deus recebemos um jardim; aos nossos filhos não podemos deixar um deserto", como orientou o Papa Francisco. E é isso que vamos seguir.
Que Maria Santíssima, mãe da Igreja, nos cubra com seu manto, que esta reunião seja conduzida pela luz do Espírito Santo e que Jesus interceda por esta Frente Parlamentar, pelo Santo Padre e por toda a nossa nação.
Abro aspas: "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros" - fecho aspas -, João 13, 35.
Muito obrigado a todos.
Que Deus nos abençoe.
Passamos então ao primeiro item da pauta, qual seja a homenagem à Sua Santidade o Papa Francisco.
Convido S. Exa. Revmo. D. Denilson Geraldo, Bispo Auxiliar de Brasília, que representará o Cardeal Arcebispo de Brasília D. Paulo Cezar Costa, para fazer uso da palavra nesta homenagem.
O SR. DENILSON GERALDO (Para expor.) - Prezado Senador Astronauta Marcos Pontes, prezado Padre Isaac, membros da mesa, Irmã Iraní, Prof. Deivid, saúdo também, tratando sobre o tema da educação, que era o objetivo primeiro, os membros da Anec e todas as pessoas que de um modo ou de outro se envolvem com a educação.
Essa mudança da pauta foi mais do que oportuna - não é, Senador? - de fato, porque o Santo Padre, o Papa Francisco, a morte do Papa Francisco é algo que toda a humanidade sente, não somente os católicos, por tudo aquilo que o Papa representa para a humanidade. E é interessante notar, nestes preparativos para o funeral do Papa Francisco, a convergência dos chefes de Estado que estão indo a Roma, dos representantes de grupos e das nações e também das pessoas de todas as religiões que participam do funeral do Papa.
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De fato, o Santo Padre, o Papa Francisco, foi um grande ser humano, alguém que lutou pelo bem da humanidade e, ao mesmo tempo, lutou pela dignidade de cada ser humano. Talvez esta seja a vertente principal que podemos olhar na figura do Papa Francisco: é alguém que respeitou, antes de tudo, a dignidade de cada ser humano. Nós vemos, seja esse ser humano envolvido na política, esse ser humano pobre, esse ser humano imigrante, esse ser humano independentemente da sua origem, condição social e opção feita, o respeito pela pessoa humana. Isso tudo advém deste conceito, desta certeza de que todos nós somos criados à imagem e à semelhança de Deus e, por isso, nós temos uma dignidade que vem de Deus mesmo. E cada ser humano compreende isso desde o nascimento até a velhice e a morte natural.
Saúdo também e trago a todos a saudação do nosso Cardeal D. Paulo Cezar Costa, que se prepara para viajar também amanhã para Roma, para participar do conclave, esse momento importante para toda igreja, em que nós nos unimos, todos nós, nesse momento de oração.
Em toda a igreja, de fato, muitos trabalhos - eu estava dizendo para o Senador - cessam nesse período de sede vacante da Diocese de Roma. Por quê? Porque não é um período em que nós estamos na expectativa - evidentemente que sim - de um novo Papa, mas é um período em que nós nos unimos em oração. Então, não é que nós deixamos de fazer nossas obrigações, nossos afazeres para nada fazer, mas nós, como igreja, como católicos, deixamos os trabalhos cotidianos ou aquilo que a ausência do Santo Padre nos limita para nos unirmos em oração pelo seu descanso eterno e pelo conclave, pelo discernimento dos cardeais. Portanto, esse tempo de sede vacante é um tempo de oração, é um tempo de profunda atenção com a voz do Espírito. Aquilo que o Papa sempre nos dizia: "A voz do Espírito para que façamos então o discernimento! Ouvindo a voz do Espírito em nós e nos irmãos e irmãs, que façamos então o discernimento!".
O Papa Francisco tem uma afirmação belíssima: "A política é a melhor forma de caridade". Que bonito, não é? Um homem desse tempo, um homem que foi ao encontro de todas as pessoas, um homem que naquela beleza que é de fato a evangelização... O Concílio Vaticano II nos mostrou claramente isto com a Gaudium et Spes e todos os documentos do Concílio: que a igreja vai ao encontro das pessoas. E tudo aquilo que for humano é ao mesmo tempo objeto da evangelização. Nada, nada escapa do objeto da evangelização - tudo e, principalmente, a política, porque a política é algo humano, voltado para o ser humano.
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Por isso, então, mais do que louvável esta Frente Parlamentar, o trabalho que ela realiza, como ela realiza aqui dentro do Senado, tendo o Senador Astronauta como Presidente da Frente. Nós agradecemos imensamente. Que continue o trabalho, continue esse empenho dentro do mundo da política, porque isso é extremamente evangelizador, profundamente evangelizador, e, guardando as palavras do Papa Francisco, é a melhor forma de caridade.
Então, que rezemos pelo Santo Padre, pelo seu repouso eterno! Todos nós queremos de fato agradecer a Deus por ter nos dado Francisco para esse tempo, nos mostrando que o Evangelho vai ao encontro de cada ser humano, vai ao encontro da cultura. Nós queremos, então, continuar como Jesus Cristo fez, foi ao encontro de cada pessoa.
Que descanse em paz o Santo Padre e rezemos sempre agora pelo discernimento dos cardeais para que de fato nos tragam um novo pontífice que também nos ajude a encontrar Jesus na cultura, no mundo e em cada situação, se Deus quiser!
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - Nós ouvimos as palavras de D. Denilson Geraldo, Bispo Auxiliar de Brasília, representando o Cardeal Arcebispo de Brasília D. Paulo Cezar Costa.
Na sequência, ouviremos as palavras dos convidados e convidadas em homenagem ao legado de Sua Santidade, especialmente no que se refere à educação, ao diálogo, à inclusão e à dignidade humana. Cada convidado poderá fazer uso da palavra até sete minutos. Isso não é escrito em pedra de jeito nenhum, então fiquem à vontade.
Eu passo, então, a palavra inicialmente para a Irmã Iraní Rupolo, Reitora da Universidade Franciscana de Santa Maria, Rio Grande Sul.
A SRA. IRANÍ RUPOLO (Para expor.) - Minha saudação, Senador Astronauta Marcos Pontes, obrigada pelo convite.
Saúdo S. Exa. Revma. D. Denilson Geraldo, na representação do Cardeal aqui de Brasília; o Padre Isaac, pela Universidade Católica de Brasília; o Reitor Dr. Deivid, da Universidade Católica de Salvador; as senhoras e os senhores aqui presentes.
Se aqui estamos, é por que temos uma comunhão de sentimentos e de esforços, de pensamento, mas a minha primeira colocação seria expressar o sentimento de pesar pela perda do Papa Francisco. Nós gostaríamos de que ele vivesse muito tempo ainda por este mundo, pela Igreja, pelas pessoas, pela humanidade, pelo dom desse Francisco que Deus concedeu a este tempo do século XXI. Que graça, que alegria a Igreja ter tido, por 13 anos praticamente, um Papa tão amável e tão representativo da pessoa e da Igreja de Jesus Cristo.
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Quero falar do Papa Francisco, só alguns recortes, porque senão a gente falaria o dia inteiro, mas eu quero destacar alguns aspectos dele que, para nós, como educadores, como professores, como pessoas, como cidadãos, naturalmente pessoas, não importa o lugar que ocupamos: uma pessoa totalmente sensível, de escuta, um Papa que sabia escutar. Como já disse o Senador e também D. Denilson, os olhares dele - e, quando eu digo olhar, é a completude dos sentidos - eram para todos: os que estavam em guerra, o Oriente Médio, a América Latina, as questões da Europa, da Ásia, da Austrália e de todos os continentes, a diferenciação dos povos, também os indígenas, as religiões não cristãs, a sensibilidade do Papa, a percepção dessa diversidade do mundo. Eu sempre considerei essa visão dele algo, para mim, admirável, e não apenas admirável, mas, por vezes, eu dizia para mim: "Oxalá eu saiba aprender dele, como professora, como educadora, com os jovens e com os pais, essa realidade intergeracional que nós precisamos compreender, da criança ao idoso, do jovem ao adulto, enfim, de todas as representatividades".
É interessante que nós dizemos: o Sumo Pontífice. Pontífice, D. Denilson, vem de ponte. O Papa Francisco foi, e é, uma ponte. Ele uniu. Ele fez a união de muitas pessoas que estavam dispersas pela atitude do não diálogo, da rejeição, das polarizações. Nesse ponto, eu penso que todos nós percebemos nele esse pontífice que nos chama à comunhão, à proximidade entre as pessoas. Nós todos somos humanos, acertamos e erramos.
Eu me lembro muito de um dia, numa viagem, em que um jornalista fez uma pergunta a ele sobre a diversidade de gênero, e a resposta do Papa: "Quem sou eu para julgar? Quem sou eu para julgar?". E isso me traz - e eu vou divagar um pouquinho do Papa - uma experiência pessoal, porque eu, quando pequena, muito lia os livros dos jesuítas; lá no Sul, tinha-se muito acesso aos livros deles. Então, contava-se uma historinha de jesuítas, porque o padre também foi jesuíta; por isso, eu quero associar isso a ele. E um jesuíta, na historinha - e eu gostava muito de ler histórias e história também, porque a história nos remete a quem somos hoje -, estava à morte, e o outro chegou e confidenciou ao superior: "Mas ele não se confessou. Ele precisa receber a extrema unção, a unção dos enfermos". E o que estava à morte disse: "Eu nunca julguei".
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De fato, era um Papa que, para mim, não tinha julgamentos fáceis sobre as pessoas e a humanidade, senão ele não teria escrito a encíclica que saiu sobre a infinita dignidade humana, a Dignitas Infinita - o respeito à dignidade humana da concepção à morte.
E tanto ele vivia o que escrevia que não teve constrangimento de mostrar sua vulnerabilidade na condição de doente e de idoso. Poderia ter se recolhido, não aparecer mais em público. E ele esteve na praça 24 horas antes de falecer, nem isto. Então, o que para mim encanta e me chama a atenção como exemplo de vida, de seguimento do Evangelho e de um grande líder da Igreja, e é um grande chamamento para nós, pessoas, como cidadãos, cristãos ou não, é que ele não apenas escrevia: ele vivia; ele viveu.
E quando tomamos as encíclicas... São muitas, mas só vou citar algumas: Fratelli Tutti - "todos irmãos" -, que vem nos alertar sobre a importância da comunicação, do diálogo, da proximidade, enfim, desse aspecto da espiritualidade humana como elemento essencial para a vida humana. O Papa Francisco, todos irmãos. E não há irmandade, senão no momento em que nos consideramos como filhos do mesmo pai. É por isso que somos irmãos, todos criados por Deus.
E aí depois ele extrapola essa ideia do Fratelli Tutti na Laudato Si'. Não apenas as pessoas, mas toda a natureza, toda a obra de Deus, que ao criar viu que tudo era bom. Se alguém não deixou bom, fomos nós. Se alguém degradou a natureza, foi o ser humano. Laudato Si'. E chama este planeta Terra de casa comum. Aqui estamos numa casa comum, por isso podemos nos falar. Obrigada por nos chamar a este momento, aqui também é uma casa comum. A política também é um lugar comum para nós. Na economia, na religião, na espiritualidade, na fé, em quaisquer profissões. Um lugar comum, porque uns trabalhamos com os outros, junto com os outros e para os outros. Não para nós, pelos outros, para os outros.
Essa casa comum, que é uma... Aliás, a encíclica Veritatis Gaudium, porque as encíclicas dele também trazem muita alegria, a Veritatis Gaudium, que é "alegria da verdade", fala sobre as faculdades de Teologia e Filosofia, as faculdades católicas, enfim, e nela ele coloca que a formação precisa atender a essa complementaridade. Não sei se eu vou lembrar agora, são quatro pontos: a contemplação e a espiritualidade; o diálogo, a ponte; a urgência do encontro; e uma multidisciplinaridade com sabedoria, ou seja, o multidisciplinar não é que todos sabem tudo de forma rasa e tudo vale. Não.
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A multidisciplinaridade - falando agora de conhecimento de ciência e de educação; e o Senador sabe o quanto teve que estudar para ser astronauta; e eu sei o quanto tive que estudar para ser pedagoga, e estudo -, que por vezes as pessoas pensam que é um digital influencer, nada disso, é a profundidade científica, teológica - não é, D. Denilson? -, jurídica - não é, Reitor Deivid? Então, essa profundidade pode ser dialogal.
Os quatro pontos da Veritatis Gaudium, sobre as universidades católicas, que formam na Teologia e na Filosofia, na Filosofia e na Teologia, são: a contemplação e a espiritualidade; a urgência do encontro; a interdisciplinaridade com sabedoria; e agora eu esqueci o outro, de que eu já tinha falado agora. Mas, em todo caso, é dentro desta mesma completude, é essa integralidade.
E o Papa Francisco - eu já tenho que ir terminando - é um exemplo de inteireza humana, mas eu gostaria de destacar, como educadora, o aspecto do diálogo. Como ajudar o outro a aprender sem primeiro não se esvaziar do pretenso saber, do pretenso conhecimento? Eu só aprendo se eu conseguir desaprender para reaprender. Quem já sabe tudo não precisa aprender. E no diálogo só dialoga quem se sente necessitado de melhorar, de crescimento, de completude como ser humano. E eu penso que esse grande legado que ele deixa à Igreja, esse aspecto dialogal, é da pura simplicidade que ele viveu - simples, não complexo, nada complicado.
A simplicidade do Papa Francisco, a todos que conseguimos percebê-lo, de fato merece o nosso reconhecimento, o louvor e gratidão a Deus, o respeito como Papa, que sempre tivemos no período do seu pontificado. São múltiplos os ensinamentos. É um grandioso legado que a Igreja recebeu de Deus no tempo do pontificado do Papa Francisco.
Que consigamos ser aprendizes dos seus ensinamentos e que a graça de Deus nos conduza nesse caminho de seguimento a Jesus. Muito obrigada. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. PL - SP) - Nós ouvimos a Irmã Iraní Rupolo, Reitora da Universidade Franciscana de Santa Maria, Rio Grande do Sul.
Antes de passar a palavra ao Prof. Dr. Deivid Carvalho Lorenzo, Reitor da Universidade Católica do Salvador, gostaria de registrar a presença do Vereador Saturnino Xavier, de Emas, Paraíba, e do Padre João Paulo dos Santos Silva, assessor da Comissão Episcopal para Cultura e a Educação da CNBB. Obrigado, estão conosco aqui.
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Eu passo a palavra ao Prof. Dr. Deivid Carvalho Lorenzo, Reitor da Universidade Católica do Salvador, Bahia.
O SR. DEIVID CARVALHO LORENZO (Para expor.) - Muito boa tarde a todos os presentes.
Nas pessoas de S. Exa. o Senador Astronauta Marcos Pontes, e de S. Exa. Revma. D. Denilson Geraldo, quero saudar, de modo muito carinhoso, os demais integrantes desta mesa alta e a todos os senhores aqui presentes.
Honrado, eu agradeço a oportunidade com que sou brindado de dedicar atenção ainda que brevemente sobre o legado do Papa Francisco para a educação católica superior em nosso país.
Vivemos tempos marcados por intensas transformações. As mudanças sociais, políticas, ambientais e culturais desafiam a missão educativa em todos os seus níveis e, de maneira muito especial, aquela de índole superior, por ser a responsável pela qualificação profissional dos cidadãos brasileiros.
Nesse contexto de transformações, o Papa Francisco se destaca como uma das vozes mais lúcidas e proféticas de nosso tempo. Seu legado para a educação e a pesquisa ultrapassa os muros da igreja e fala diretamente à consciência da humanidade. Sua liderança profética aponta para um novo modo de pensar, mais adequado aos desafios contemporâneos, e propõe articulação permanente entre fé, razão e transformação social.
Permitam-me, senhores, destacar três aspectos centrais desse legado deixado pelo Papa Francisco.
O primeiro aspecto central é a educação como caminho de humanização. Desde o início de seu pontificado, o Papa Francisco tem afirmado que educar é um ato de amor, de esperança e de compromisso com o futuro.
Em 2015, ao publicar a carta encíclica Laudato Si', o Papa Francisco diagnosticou que os problemas incidentes sobre a relação do homem com a natureza não são apenas de natureza ambiental, mas de natureza cultural, pois possuem a mesma origem que as questões do âmbito da desigualdade mundial e da crise econômica, e são, assim, reflexos, sinais de um modo de ser e de pensar que orienta a sociedade do presente.
Em 2019, Papa Francisco lançou o Pacto Educativo Global, uma convocação às nações, instituições e educadores de todo o mundo para que assumam a tarefa de colocar a pessoa humana no centro dos processos educativos, promovendo educação integral, inclusiva e aberta ao diálogo. No Brasil, onde a desigualdade ainda desafia a justiça social, essa proposta tem enorme relevância.
O Papa ainda nos convida a uma educação que não se limite à transmissão de conhecimentos técnicos, mas que forme consciências críticas, sensíveis ao sofrimento do próximo, abertas ao bem comum. Para as instituições católicas de ensino, isso significa reafirmar seu compromisso histórico com os mais pobres, com os territórios esquecidos e com a transformação social.
O segundo aspecto central do legado do Papa Francisco: a pesquisa e a ciência como instituições a serviço da verdade e do bem comum. Para o Papa Francisco, toda forma de conhecimento deve estar a serviço da vida. Nas encíclicas Laudato Si' e Fratelli Tutti, ele convoca a comunidade científica a se envolver com as grandes questões do nosso tempo, desde a crise climática, a pobreza, as migrações até os conflitos sociais e as questões éticas nas tecnologias.
A pesquisa, segundo o Papa Francisco, deve ser feita com responsabilidade, com escutar as comunidades, com abertura ao diálogo interdisciplinar. Ela não pode se fechar em si mesma nem ser guiada exclusivamente por interesses de mercado. No Brasil, essa visão inspira uma ciência comprometida com os territórios, com a superação das desigualdades e com a construção de um futuro sustentável.
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É neste contexto que se legitima a reflexão a respeito do educar para o humanismo solidário. O humanismo solidário propõe desconstituir a lógica do progresso a todo custo, tão valorizada pelo pensamento moderno, que estimula o individualismo e o consumismo no trato social. Nesta esteira, o Papa Francisco volta a insistir no papel central da educação para a superação dos problemas atuais, publicando a constituição apostólica Veritatis Gaudium, lá em dezembro de 2017. Recorda ele que a experiência humana no mundo prima pelo amor à verdade e que a integralidade do conhecimento supõe a união de saberes: o teológico, o filosófico, o social e o científico.
Coroando este percurso inspirador, eis que nos deparamos com mais um passo dado no magistério deixado pelo Papa Francisco, a instituição do pacto global pela educação. O Papa então retoma a condição complexa do que se deve entender por educação, em uma simulação bastante oportuna com o provérbio africano que recorda que é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança. Diante da crise antropológica experimentada em escala internacional pela sociedade contemporânea, dela integrante o reducionismo da educação a uma formação meramente tecnicista e individualista, o que ora se propõe é revisitar a densidade mesma do compromisso pela arte de educar - é ao que nós somos convidados pelo Papa Francisco.
Terceiro e último aspecto central do legado do Papa Francisco: o método do diálogo e do discernimento. É importante destacar o método que o Papa nos propõe, o da escuta, do diálogo e do discernimento. Francisco insiste na necessidade de uma cultura do encontro, em que diferentes saberes e experiências possam se encontrar sem medo, sem arrogância e sem exclusão. É ele quem, no Pacto Educativo Global, afirma: "Optar por formar a pessoa significa optar pela cultura do encontro no qual olhar o outro humano é também encontrar o rastro do Outro" - "Outro" com "o" maiúsculo, o rastro de Deus. Num tempo marcado por polarizações e radicalismos, essa proposta é mais atual do que nunca. As instituições educacionais e científicas devem ser espaços de convivência democrática, de debate respeitoso, de busca conjunta da verdade. A educação católica, nesse sentido, é chamada a ser fermento de paz e de reconciliação.
Por fim, quero recordar que o legado do Papa Francisco, senhores, para a educação e a pesquisa católica no Brasil, é um convite à ousadia e à esperança. Ele nos desafia a sair da zona de conforto, a escutar os clamores do nosso povo, a reconfigurar nossas práticas pedagógicas e acadêmicas à luz da fraternidade e da justiça. Não se trata apenas de uma inspiração religiosa, mas de uma contribuição ética, política e cultural para o presente e para o futuro do Brasil. O Papa Francisco nos convida a tocar a existência daqueles que estão situados nas mais diversas periferias - as geográficas, as socioeconômicas, as existenciais.
Quanto a nós, integrantes da rede de educação superior católica no país, seguimos atentos ao chamado feito pelo Santo Padre. Mesmo diante dos incontáveis desafios experimentados atualmente, que nos atravessam desde o âmbito regulatório até aquele do financiamento, as instituições educacionais católicas seguem firmes no compromisso com o bem comum, em profunda comunhão com o magistério do Papa Francisco, sempre com esperança. Afinal, como disse o próprio Papa Francisco por ocasião do lançamento do Pacto Educativo Global, em 2020, abro aspas: "Educar é sempre um ato de esperança que convida à coparticipação [...] [e à transformação da] lógica estéril [...] [do egoísmo em uma lógica de fraternidade]", fecham-se aspas. Que esse espírito nos inspire e que possamos juntos - Estado, sociedade civil, instituições religiosas e educacionais - construir um Brasil mais solidário e mais justo, comprometido com o humanismo solidário e com a globalização da esperança.
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Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. PL - SP) - Obrigado, Prof. Dr. Deivid Carvalho Lorenzo, Reitor da Universidade Católica do Salvador, na Bahia.
Antes de passar a palavra ao nosso próximo orador, eu gostaria de registrar a presença de Fernanda Alcântara Parente Farias, Secretária Pastoral da Arquidiocese de Brasília e psicóloga clínica, especialista em logoterapia; Profa. Dra. Roberta Guedes, gerente da Câmara de Educação Básica da Associação Nacional de Educação Católica; André Peixoto, representante da assessoria parlamentar da Associação Nacional de Educação Católica; Larissa Abrantes, Controladora-Geral da Prefeitura de Sousa, Paraíba; Felipe Tavares, Vereador da cidade de Cosmópolis, Paraíba; Ricardo Guimarães, Vereador da cidade de Cosmópolis, Paraíba.
Eu agradeço a presença de todos e passo a palavra, então, neste momento, ao Padre Isaac Celestino de Assis, Pró-Reitor de Identidade e Missão da Universidade Católica de Brasília, representando o Reitor da referida universidade, o Prof. Dr. Carlos Longo.
Por favor.
O SR. ISAAC CELESTINO ASSIS (Para expor.) - Obrigado. Obrigado pela oportunidade.
Aqui eu cumprimento o Senador Marcos Pontes; o D. Denilson Geraldo, Bispo Auxiliar desta arquidiocese; a Irmã Iraní, da Universidade Franciscana, de Santa Maria; meu colega Prof. Dr. Deivid, da Universidade Católica do Salvador.
Permitam-me trazer dois elementos, antes das contribuições do Papa para a educação, que dão solidez para o pontificado dele.
Nascido em dezembro de 1936, Jorge Mario Bergoglio ingressou com 22 anos na Companhia de Jesus, os jesuítas. Ordenado presbítero em 1969, conformou todo o seu ministério no serviço generoso à educação, especialmente dos mais empobrecidos. Foi nomeado Bispo Auxiliar de Buenos Aires em 1992, e depois Arcebispo da capital portenha, de 1998 a 2013. Em 2001, foi criado Cardeal pelo Papa João Paulo II. Foi neste período que ele participou ativamente de diversos dicastérios da Cúria Romana, até ser eleito Papa no dia 13 de março de 2013, tornando-se o primeiro pontífice das Américas e o primeiro jesuíta.
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Assumiu o nome de Francisco, em referência a São Francisco de Assis, cujo pontificado foi profundamente explícito pela simplicidade e cuidado com os pobres. Buscou liderar a Igreja de Cristo por meio das virtudes da escuta e do diálogo, estabelecendo-se assim como um líder servidor e profético. Na reconfortante brisa da ressurreição do dia 21 de abril de 2025, foi ao encontro definitivo com a Santíssima Trindade.
O ministério do Papa Francisco se comprometeu com uma educação para a formação integral do ser humano. Sua visão educacional supera a fragmentação do saber, a partir da união da cabeça, coração e mãos.
Cabeça, razão e conhecimento crítico, incentiva o diálogo entre fé e ciência, rejeitando visões reducionistas do conhecimento. Segundo o Papa, as instituições educacionais podem ser um espaço de reflexão profunda sobre os grandes desafios humanos.
Coração, marcado pela espiritualidade e pelos valores, destaca a importância da compaixão, da justiça e da solidariedade, com pilares na formação acadêmica. A educação para Francisco deve cultivar a cultura do encontro e do cuidado.
E as mãos, que significam ação e engajamento, encorajam os estudantes e toda a comunidade educativa a aplicarem os seus conhecimentos em projetos sociais, promovendo educação que transforma realidades.
As instituições educativas, a partir desta inspiração, podem incorporar em seus currículos o voluntariado, no caso das IEs, como a curricularização da extensão e ainda as pesquisas com impacto social.
No ano de 2020, como aqui citado, o Papa Francisco lançou o Pacto Educativo Global, convocando as instituições de ensino do planeta a colocarem, em primeiro lugar, a pessoa no centro de cada processo educativo, de escutar as gerações, de promover a mulher, de responsabilizar a família, de se abrir à acolhida de renovar a economia política e de cuidar da casa comum.
As instituições educacionais, à luz desta singular aliança, são convocadas a converterem-se em ambientes acolhedores para a pluralidade, para o diálogo interdisciplinar e para a formação de poetas sensíveis.
Assim, apreende-se que as escolas e as IEs necessitam revisitar seus projetos pedagógicos acadêmicos em vista de uma educação integral para a humanização. Ainda, tais instituições, por meio deste pacto, são chamadas a construir redes no desejo de equilibrar as oportunidades e as exclusões a partir de programas de bolsas e assistência estudantil, refletindo, assim, uma visão inclusiva da educação.
O Papa Francisco alerta também sobre os riscos da mercantilização, enfatizando que a educação é permeada por princípios a serem alcançados, a saber: a educação é para o bem comum; o acesso democrático do saber; e as políticas públicas que devem garantir uma educação de excelência gratuita, integral e inclusiva, especialmente nos países mais pobres.
Há de se citar um belo exemplo significativo fruto do Pacto Educativo Global: a Oducal (Organização das Universidades Católicas da América Latina e do Caribe), que tem se esforçado para manter a identidade confessional das instituições contra a privatização excessiva.
Retomando a tradição católica, Francisco insiste que a ciência deve ser a serviço da dignidade humana e que a teologia pode dialogar com outras disciplinas a fim de compreender as questões contemporâneas da bioética, da inteligência artificial e das mudanças climáticas.
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Assim, entende-se que a voz e os gestos tão fortes do pontificado de Papa Francisco apresentam um novo paradigma para a educação: combina a excelência e a qualidade da educação com o compromisso social; promove uma educação acessível e inclusiva; estimula o diálogo entre os saberes e as culturas; e prepara profissionais técnicos, éticos e transformadores de realidades.
Seu legado já influenciou diversas reformas curriculares, políticas, educacionais e projetos comunitários sociais em diversas instituições católicas e não católicas. O Pacto Educativo Global é sua maior contribuição prática, convocando as comunidades educativas do mundo a repensar a educação como o caminho para um futuro justo e sustentável.
A visão educacional do Papa Francisco não se limita ao campo religioso, mas oferece um projeto humanista urgente para todas as instituições educacionais.
Termino trazendo uma frase do livro do Papa Francisco, Vida: a Minha História através da História: "Para aprender a viver, contudo, todos nós devemos aprender a amar. Não nos esqueçamos! É o ensinamento mais importante que podemos receber: amar, porque o amor sempre vence". Amando podemos superar barreiras, resolver conflitos, podemos derrotar a indiferença e o ódio, podemos libertar e transformar nosso coração, comprometendo-nos com os outros.
Agradeço a oportunidade e ensejo que a semeadura de Papa Francisco possa produzir muitos frutos à nossa humanidade. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. PL - SP) - Gostaria de agradecer as palavras do Padre Isaac Celestino Assis, Pró-Reitor de Identidade e Missão da Universidade Católica de Brasília.
Eu gostaria de registrar a presença dos passaram por aqui, mas já tiveram que ir para outro compromisso: Deputada Lenir de Assis; Luísa Carvalho, jornalista do Jota; Marcelo Reis, Diretor da Santa Casa de Franca; Ricardo Domingos, Diretor-Geral do Instituto Federal de São Paulo; Adriana Mariano, Diretora do Hospital de Amor Barretos; Sebastião Lourenço, Assessor da Câmara Municipal de Votuporanga; André Peixoto, Assessor Parlamentar da Metapolítica; Júlia Povoas, Diretora da Santa Casa de São Paulo; Angelo Jabur, representante da Santa Casa de Votuporanga; Patrícia Nery, Relações Governamentais da Santa Casa de Rio Preto; Dr. Eduardo Filho, Diretor do Grupo Paraná; Carlos da Cruz, Assessor Especial da Universidade Luziânia, Goiás; Dra. Fabiana Calixto, Coordenadora do Hospital da Mulher da Unicamp; e repórteres e cinegrafistas da Rede Vida e da Rede TV.
Conforme informado no início desta reunião, estamos sendo acompanhados de forma interativa pelos canais do e-Cidadania. Portanto, vou compartilhar algumas das manifestações apresentadas pelos cidadãos ao longo da nossa reunião. (Pausa.)
Também não esquecendo o Senador Esperidião Amin, que esteve aqui conosco, assim como a Senadora Jussara Lima, que também esteve conosco.
Charles, do Amapá - então, isso veio pelo e-Cidadania: "[...] Como a igreja pode dialogar melhor com os jovens que se sentem distantes da fé e da religião institucionalizada?".
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Gabriel, de São Paulo: "[...] [Quais] as perspectivas da questão da sinodalidade da igreja [...]?".
Para lembrar a quem está nos assistindo, sinodalidade, se eu não me engano, refere-se a andar junto, correto?
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - Caminhar juntos.
"Questão que ficou em aberto no pontificado".
A Raíssa, do Mato Grosso: "Justa homenagem a um líder inspirador, isso demonstra que ações no Congresso respeitam a diversidade de crenças do povo brasileiro".
Pedro, do Paraná: "Uma homenagem merecida. A tradição da igreja católica deve ser respeitada mundialmente".
Antes de seguirmos para o final da nossa cerimônia aqui, eu gostaria de passar a palavra novamente para os nossos convidados que quiserem responder a alguma pergunta ou para as suas considerações finais.
Fique à vontade quem quiser fazer uso do microfone.
O SR. DENILSON GERALDO (Para expor.) - Prezado Senador, muito obrigado por, mais uma vez, nos conceder a palavra.
De fato, o grande desafio, tratando-se de juventude, é a educação. Quando falamos de juventude e infância, o universo educativo da igreja católica é muito grande, são milhares de pessoas, sejam alunos, profissionais, não colaboradores, aqui no Brasil e fora do Brasil.
Nós temos, na Igreja Católica, um Dicastério somente para isso, na Cúria Romana. A CNBB trabalha diretamente com a educação, quer dizer, a Anec, que é uma instituição ligada à CNBB, ou seja, o mundo da educação faz parte do ensino da fé católica e, em primeiro lugar, está a juventude. A pergunta sobre a juventude é muito boa!
O Papa Francisco deu uma grande contribuição para isso e inclusive promoveu um sínodo sobre a juventude, com a afirmação inusitada de que Deus é jovem. A grande afirmação do documento sobre a juventude é de que Deus é jovem - muito bonito isso vindo do Papa.
Tudo isso nos dá a certeza de que, de fato, a educação, que é fundamental para a infância e a juventude, para todo ser humano, é um direito fundamental para o ser humano, a igreja acompanha. E qual o método? Quando se trata de juventude, o método é sempre este, o sinodal, que o Papa nos indica, a sinodalidade como um grande método para a educação, que é caminharmos juntos, construirmos juntos tudo aquilo que seja necessário.
Portanto, concluindo, fazendo essa consideração final, o Papa Francisco inaugura, assim, algo novo, que é justamente um método educativo próprio que nos abre perspectivas para acolher toda a juventude e juntos fazermos o discernimento daquilo que seja melhor. E colocou, à frente do Dicastério, um português, Cardeal Tolentino, que fala a nossa língua, já esteve aqui no Brasil várias vezes, é um grande teólogo, um poeta. O Cardeal Tolentino tem a responsabilidade de cuidar desse setor da igreja que é fundamental.
Mais uma vez, parabéns pela sessão de hoje em homenagem ao Papa Francisco e a todo o mundo da educação, porque ele foi muito interessado, pois também foi professor.
Que Deus dê o descanso eterno para esse grande pontífice que nós tivemos.
Muito obrigado.
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O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - Obrigado, D. Denilson Geraldo.
Irmã, por favor.
A SRA. IRANÍ RUPOLO (Para expor.) - Senador, eu queria, em primeiro lugar, fazer uma referência seguinte.
Quero agradecer a sua sensibilidade e o seu discernimento, porque eu entendo que, sendo esta Casa, o Senado, um lugar onde se iria, nesta data, instituir uma Comissão, e estando a Cátedra de Pedro vacante, não caberia instaurar uma Comissão como que dissociada disso. Estando a cabeça dessa grande organização humana, a Igreja, desde o Vaticano, neste momento vacante, não caberia a instauração de uma Comissão. Obrigada por sua sensibilidade e por seu discernimento neste momento.
Segundo, também agradecemos o convite para estarmos aqui. E penso que este pode, sim, ser mais um lugar de construção do pensamento educativo nacional, um lugar de discussão. Ninguém faz educação sozinho. O próprio termo sinodalidade nos chama: caminhar juntos. Então, este também é um lugar de discutir a educação, desde o Senado, desde a Câmara, desde os ministérios, as secretarias de estados, as secretarias de municípios; enfim, essa complexidade que é a sociedade, porque todos queremos bem à educação, porém, às vezes, não sabemos muito bem como conduzir, e conduzimos de forma tão desordenada que ela perde valores. Então, a organicidade faz parte da educação. E, para mim, essa foi uma decisão de quem percebe que organizar é algo significativo para a educação.
Não poderia terminar sem dizer gratidão a todos que aqui estão, por estarmos vivos, mas, sobretudo, louvor e gratidão a Deus por ter-nos dado o Papa Francisco.
A Deus, nosso louvor; e ao Papa Francisco, a homenagem. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - Muito obrigado à Irmã Iraní Rupolo, Reitora da Universidade Franciscana de Santa Maria.
Há mais algum convidado? (Pausa.)
O microfone está aberto.
O SR. DEIVID CARVALHO LORENZO (Para expor.) - Muito bem.
Obrigado, Senador, pela oportunidade.
Eu queria fazer aqui brevemente algumas pequeninas observações sobre as indagações que foram formuladas e que foram direcionadas aqui à mesa.
A primeira refere-se à juventude e ao grande desafio em que consiste aproximar-se a Igreja dessa juventude. Penso eu - respondendo a Charles, lá da Amapá - que aqui o desafio consiste em superarmos uma cultura instalada da geração presente, que está envolvida na sociedade do consumo, do imediatismo e da busca pela utilidade em tudo.
Falar de questões que pressupõem o mistério e a transcendência é desafiador quando a gente pensa numa lógica do descarte e do consumismo. Como aproximar a Igreja? Recordo que, independentemente da faixa etária e da geração da qual estejamos a tratar, o ser humano tem e guarda em si e em seu coração o desejo do infinito, a sede de Deus. E cabe à Igreja, milenarmente, cumprir o mandato evangélico de apontar para aquele que preenche esse desejo nas mais variadas dimensões, nos mais variados segmentos. Como se aproximar? Aproximar-se dessa juventude provocando-a a entender que, mais do que uma sociedade do consumo, precisamos ter, nesse aspecto, sob esse ponto de vista, o império da sociedade do desejo, o desejo de Deus.
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E Gabriel, de São Paulo, pergunta sobre "as perspectivas da questão da sinodalidade na Igreja". Segundo ele, a questão parece que ficou em aberto no pontificado. Permita-me, Gabriel, divergir e dizer que não. Não me parece que está em aberto, não. Nós não temos, efetivamente, respostas prontas, fórmulas matemáticas, questões muito exatas, mas o Papa Francisco nos ensinou, através de seu magistério, algumas diretrizes para a sinodalidade. No âmbito da educação, de um modo muito particular, recordo que pensar na interdisciplinaridade significa pensar no caminho sinodal, de muitas pessoas caminhando juntas em favor da integralidade da pessoa humana, que não cabe em caixinhas especificadas. Isso é ser sinodal, é caminhar juntos e alcançar as tão famosas periferias apontadas no magistério de Francisco. Então, parece-me que temos muito a fazer, sem fórmulas elaboradas, mas seguindo o desejo do infinito, ao qual me reportei agora há pouco.
Dito isso, vou devolver a palavra ao Senador, dizendo que agradeço imensamente pela oportunidade, em nome da Anec, em nome da Universidade Católica de Salvador, em nome da educação católica superior no país, pela oportunidade com a qual somos brindados aqui, de fazer memória ao nosso querido Papa Francisco, a seu magistério e, olhando para seu legado, abrir uma janela bonita para o futuro, reforçando a chama da esperança, como peregrinos da esperança, aquilo ao que ele nos chamou ultimamente.
Muito obrigado, Senador.
O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - Obrigado ao Prof. Dr. Deivid Carvalho Lorenzo, Reitor da Universidade Católica de Salvador.
Para as considerações finais, eu passo a palavra, então, para o Padre Isaac Celestino de Assis.
O SR. ISAAC CELESTINO ASSIS (Para expor.) - Obrigado. Gratidão pela oportunidade, Senador Marcos Pontes, de estar nesta Casa pela primeira vez para fazer memória da vida e da missão do líder da Igreja, mas um líder mundial.
Quanto à primeira pergunta aqui, de Charles, do Amapá, eu acredito que o Papa Francisco apresentou um itinerário para a evangelização da juventude. O primeiro deles é estar próximo, proximidade. Significa não julgamento, significa estar com eles do jeito que eles são. Segundo, não há julgamento nesse caminho de proximidade. Então, eu preciso estar com os jovens para escutá-los. O processo de discernimento... Santo Inácio de Loyola, que é o fundador da Companhia de Jesus, ensina-nos - para a Igreja como um todo - que o processo de discernimento passa pela escuta. O Papa Francisco escutou os jovens nos seus clamores, como escutou também tantas outras pessoas, mas aqui falando especificamente da juventude. Então, proximidade, escuta; e apresentar uma proposta clara para os seus projetos de vida, fazer com que os jovens possam perguntar-se pelos seus projetos de vida. Que sentido tem a vida? Então, eu penso que este seria o tripé de um caminho para a evangelização das juventudes, olhando para elas com muita esperança.
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Depois, sobre as perspectivas da questão da sinodalidade na Igreja, ele, em todos os sínodos, apresentou o modo com que a Igreja pudesse evangelizar. Não evangeliza simplesmente pela lei, mas é sensível ao Espírito, que fala nas mesas sinodais. Então, a maneira, o modo de ser da Igreja passa por esse jeito, que é caminhar juntos, escutar, decidir juntos esse caminho, para ser cada vez mais significativo no tempo presente.
Então, despeço-me com a alegria de ter cumprido nesta tarde, junto com os meus colegas aqui da mesa, uma singela, singular, única, ímpar homenagem ao Papa Francisco, agradecendo a Deus a oportunidade da sua vida e da sua missão neste mundo.
Agradeço àqueles e àquelas também que aqui estão presentes e àqueles e àquelas que nos acompanharam pelos meios de comunicação.
Deus os abençoe. Deus lhes pague.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - Obrigado ao Padre Isaac Celestino de Assis, Pró-Reitor de Identidade e Missão da Universidade Católica de Brasília.
Antes de encerrar - é a parte formal aqui -, eu proponho a dispensa da leitura e a aprovação da ata, que será composta pela lista de presença, pelo resultado da reunião e pelas notas taquigráficas.
Os Senadores e outros Parlamentares que a aprovam permaneçam como se encontram. (Pausa.)
Aprovada.
Agora, eu gostaria muito, antes de fechar a sessão, de agradecer.
Primeiro, quero agradecer a presença dos nossos palestrantes aqui conosco: D. Denilson Geraldo, Bispo Auxiliar de Brasília, representando o Cardeal Arcebispo de Brasília, D. Paulo Cezar Costa; Irmã Iraní Rupolo, Reitora da Universidade Franciscana de Santa Maria, Rio Grande do Sul; Prof. Dr. Deivid Carvalho Lorenzo, Reitor da Universidade Católica de Salvador, Bahia; Padre Isaac Celestino de Assis, Pró-Reitor de Identidade e Missão da Universidade Católica de Brasília, representando o Reitor da referida universidade, Prof. Dr. Carlos Longo.
Eu já deixo aqui o convite, previamente, a todos os participantes para que estejam conosco no seminário, que vai ocorrer em data oportuna. Então, já estão convidados. Por favor, participem do seminário. (Pausa.)
Também gostaria, neste momento, de agradecer a todos aqueles que nos acompanharam através das redes do Senado, da TV Senado, que mandaram suas ideias e perguntas pelo e-Cidadania; e agradecer à nossa mesa pelo trabalho também - obrigado pelo apoio.
Faço uma pequena correção quanto às pessoas que estiveram presentes aqui. Eu falei com relação a dois Vereadores. Estava anotado aqui que eram da cidade de Cosmópolis, na Paraíba - eu até achei estranho: "Cosmópolis tem São Paulo também. Eu não sabia que tinha na Paraíba" -, mas na verdade eles são da cidade de São Paulo. Então, estão aqui os nossos Vereadores da cidade de Cosmópolis, São Paulo. Inclusive, fui lá visitar pessoalmente.
Finalmente, antes de a gente terminar, dada a importância da lembrança do nosso Papa Francisco, eu gostaria de pedir ao nosso D. Denilson Geraldo uma oração, por todos nós, ao Papa Francisco.
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O SR. DENILSON GERALDO - Sabemos muito bem o quanto o Santo Padre, o Papa Francisco, foi devoto à Mãe de Deus. A sua devoção era ímpar, era uma devoção filial, e a presença dele no Santuário nosso de Aparecida foi também um momento muito marcante da sua visita ao Brasil. Antes do seu pontificado, ele esteve presente na assembleia dos sínodos latino-americana, em que surgiu então o Documento de Aparecida, do qual ele foi o relator. Portanto o Papa Francisco tem uma profunda sintonia com o nosso Santuário Nacional de Aparecida.
Pedindo, então, a intercessão da Santa Mãe de Deus por todos nós, pelo repouso eterno do Papa Francisco, rezemos:
Ave, Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco;
bendita sois vós entre as mulheres,
bendito é o fruto de vosso ventre: Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós pecadores,
agora e na hora de nossa morte.
Amém!
Que desça sobre vós, pela intercessão da Santa Mãe de Deus, Nossa Senhora Aparecida, a paz e a bênção de Deus Todo Poderoso.
Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!
O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. PL - SP) - Agradeço a presença de todos e, não havendo mais nada a tratar, declaro encerrada a sessão. (Palmas.)
(Iniciada às 14 horas e 31 minutos, a reunião é encerrada às 15 horas e 36 minutos.)